Departamento de Farmacologia
  • Ressaca tem remédio

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    Haja fígado para tanto álcool

    Quando ingerimos bebidas alcoólicas, damos um trabalho enorme ao nosso amigo fígado. O fígado processa o álcool e o transforma em acetaldeído, que é muito tóxico. Aldeídos são tão tóxicos que costumam ser usados como desinfetantes em hospitais! Eles podem acidificar o sangue se ingerimos álcool em grande quantidade e num curto espaço de tempo. Por isso podemos vomitar, que é uma forma que o corpo tem para eliminar excesso de ácido do corpo. Esses aldeídos também inflamam os vasos sanguíneos e agridem os nervos, o que vai causar a dor de cabeça geralmente sentida no dia seguinte. Além disso, o álcool baixa drasticamente a glicose no sangue e tem um potente efeito diurético, o que faz com que percamos muita água e minerais. Essa combinação pode levar ao coma alcoólico.

    Um lembrete

    Para quem sobreviveu a isso, a ressaca é um lembrete para você de toda essa agressão que o organismo sofreu. Remédios para a ressaca podem conter ácido acetil-salicílico (um anti-inflamatório) para a dor de cabeça, mepiramina (um anti-histamínico) que aqui tem efeito contra a ânsia de vômito, cafeína que combate o sono causado pelo álcool, e hidróxido de alumínio, que age como antiácido, amenizando a irritação do estômago.

    Cuidado:

    O remédio pode fazer com que bebamos mais e nenhum remédio previne os sérios danos que o álcool causa ao organismo. Nunca use remédio que contém paracetamol para dar jeito na dor de cabeça depois da bebedeira, isso pode causar mais danos ao fígado…quem leu nossa primeira coluna, sabe o porquê.


  • Entenda o caminho dos medicamentos no nosso corpo e a forma como agem

    [FAC-SÍMILE DO ORIGINAL]

    Como age um medicamento no organismo?

    Essa é uma pergunta muito difícil de responder em poucas linhas, mas vamos tentar passar alguns conceitos importantes. Em primeiro lugar o medicamento precisa entrar no nosso corpo. Isso pode ser conseguido de várias maneiras, mas a mais prática é a via oral. É melhor para a gente, mas para o remédio é a via mais difícil e a menos econômica. Muitas drogas tem que ser protegidas da acidez estomacal elevando seu custo pelo uso de revestimentos especiais. Além disso, toda droga absorvida pelos intestinos passa obrigatoriamente pela fígado, onde começa a ser destruída (efeito de primeira passagem). Sim, porque esse é um dos grandes papeis do fígado, destruir substâncias estranhas. Por isso precisamos tratar bem de nosso fígado!

    Como chaves nas fechaduras certas

    Tudo isso faz com que se tenha que administrar uma quantidade maior de fármaco quando se usa a via oral. Depois de passar pelo figado, o fármaco que sobreviveu se distribui pelo sangue. Assim, a droga pode chegar a todas as partes do corpo. Os fármacos agem modificando as funções normais do organismo, se ligando a alvos específicos nas células do corpo. Sejam as células do estomago, do cérebro, do coração, ou de qualquer órgão, elas possuem milhares de receptores para fármacos. Esses receptores são mais ou menos como pequeninas fechaduras que ligam e desligam as funções celulares. Apenas as chaves certas podem se encaixar nestas fechaduras e fazê-las funcionar. Assim, os fármacos são projetados para se encaixarem apenas em determinados receptores destas células e não em outros. Alguns fármacos ligam os receptores, outros desligam. Por causa desta precisão dos fármacos, aqueles que fazem a pressão arterial diminuir, não são antiácidos, e vice-versa. Ou aqueles que tratam a depressão, não matam uma célula cancerosa.

    Testes

    Já deu para entender, não é? Cada fármaco precisa ser desenvolvido para fazer coisas específicas, e isso precisa de muito estudo e testes. Pois quanto mais específico for o fármaco, menos efeitos colaterais ele vai produzir.


  • A principal fonte dos medicamentos sempre foi a natureza

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    Onde tudo começa

    No senso estrito da palavra, a medicina existe por causa dos medicamentos (também chamados de drogas e fármacos). A história do uso de medicamentos para curar as enfermidades remonta à antiguidade. A principal fonte dos medicamentos sempre foi a natureza. Através de chás, infusões ou outros processos, se retirava o principio ativo das plantas para administrá-los nas pessoas doentes. Com o avanço técnico e científico aprendemos a isolar estes princípios das plantas e colocá-los em comprimidos ou mesmo melhorá-los em laboratório, para que ficassem mais potentes e mais específicos para cada doença. A aspirina, p. ex., foi sintetizada a partir do ácido salicílico que é retirado das cascas de uma árvore chamada salgueiro branco (Salix alba). O analgésico mais potente conhecido, a morfina, é retirado de uma flor chamada papoula.

    Testes em animais

    Mas não são só as plantas que fornecem medicamentos. As estatinas, um dos medicamentos mais prescritos atualmente para tratar colesterol elevado, foi inicialmente isolado de um cogumelo. Os antibióticos por exemplo são na maior parte dos casos, produzidos por fungos. Isto mesmo, bolor. Antes da descoberta da penicilina, as infecções só podiam ser tratadas com sulfas e alguns antissépticos (iodo, genciana, compostos de mercúrio, etc.). O arsênico, usado como veneno para matar ratos, era também usado para tratar a sífilis. Ou seja, se o paciente não morresse envenenado, talvez ele se curasse da sífilis …. tempos difíceis para médicos e pacientes.

    Vem do cogumelo

    Sejam de origem natural ou sintetizada em laboratório, as novas drogas precisam ser testadas em animais antes de serem usadas em humanos, para assegurar que sejam menos tóxicas e mais específicas para tratar determinadas doenças. Atualmente, é impossível pensar em desenvolver novos medicamentos sem a ajuda dos animais. Em alguns casos precisamos dos animais até mesmo para produzir os medicamentos. Como é o caso das vacinas e soros. Os anticorpos (ou soros) não existiriam sem a ajuda dos cavalos. Anticorpos são importantes para tratar envenenamentos por toxinas de cobras, lagartas de fogo, tétano, raiva, e até alguns tipos de câncer.