Departamento de Farmacologia
  • Da cocaína aos anestésicos mais usados pelos dentistas

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    Sem dor

    Imagine extrair um dente sem anestesia! O anestésico é uma substância que vai tornar os procedimentos odontológicos dolorosos, totalmente sem dor para nós. Antes de inventarem essa substância, ir ao dentista era muito mais traumático do que atualmente. Mas como inventaram a anestesia?

    Cocaína como anestésico

    No século 19, naturalistas europeus pesquisando as florestas da América do Sul, ficaram maravilhados com as propriedade estimulantes das folhas de coca usadas por índios peruanos. Dessas folhas, um químico alemão chamado Albert Niemann purificou a cocaína, em 1860. Nos anos seguintes, o conhecido psicanalista Sigmund Freud estava interessado nos efeitos psicológicos da cocaína e seu possível uso para o tratamento de pessoas, entre elas, seu amigo oftalmologista Karl Kollar. Juntos eles acabaram percebendo que uma solução de cocaína gotejada nos olhos produzia uma anestesia que poderia ser útil para realizar pequenas cirurgias neste local. De lá para cá, não demorou muito para se descobrir que injetando cocaína próximo dos nervos, se conseguia anestesiar regiões do corpo para intervenções cirúrgicas, como correção de fraturas, extração de dentes, suturas, etc.

    Uma evolução e tanto!

    Puxa, ir no dentista nessa época podia ser mais divertido! Mas a cocaína não poderia continuar sendo usada para este fim pois, além de produzir a anestesia, ela causa também perigosos efeitos alucinógenos e dependência. Então, os químicos continuaram mexendo nessa droga e conseguiram separar a parte que causa anestesia da parte que causa efeitos psicológicos. Assim nasceu a procaína, o primeiro anestésico local. Hoje existem vários outros tipos, mas todos são parentes da procaína, que veio da cocaína, que veio do conhecimento de índios peruanos e da curiosidade de alguns alemães malucos!


  • Medicamentos “baseados” na maconha

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    Medicamentos “baseados” na maconha

    A maconha é uma planta conhecida da humanidade há muitos séculos por seus efeitos farmacológicos. Estes efeitos vão desde os físicos, como olhos avermelhados, boca seca e taquicardia, até os psíquicos, como calma e relaxamento, redução do cansaço e vontade de rir. Para outras pessoas, porém, os efeitos podem ser desagradáveis, como: angustia, ansiedade e pânico. Em qualquer pessoa ocorre perturbação da percepção de tempo e espaço (alguns minutos parecem horas ou uma distancia real de 10 metros pode parecer 50 metros), e o comprometimento da memória de curto prazo. Grande quantidade da droga provoca delírios e alucinações e, da mesma forma que para o álcool, pessoas sob o efeito da maconha não deveriam dirigir!

    Capacidade de viciar

    Como qualquer droga que se use abusivamente, a maconha pode causar muitos males, e estes são agravados pela alta capacidade de viciar que esta planta possui. A longo prazo, vão aparecer problemas respiratórios, bronquites e até câncer do pulmão. A maconha reduz a quantidade de testosterona, hormônio masculino, levando a esterilidade. Redução da capacidade de aprendizagem e memorização, além de induzir um estado amotivacional (não sentir vontade de fazer mais nada, pois tudo perde a graça e importância). A maconha pode induzir o aparecimento de uma doença psíquica que a pessoa já tinha, mas que ainda não havia manifestado.

    Tratamento

    A maconha pode ter importante emprego médico também. Em alguns países ela é fumada para tratar a dor do câncer e os vômitos provocados pela quimioterapia. Além disso, o canabidiol e o THC extraídos dessa planta, são comercializados na Inglaterra, Espanha e Canadá para o controle da dor causada pela esclerose múltipla.


  • O que fazemos no Departamento de Farmacologia da UFSC?

    O Departamento de Farmacologia tem projeção nacional e internacional, além de papel destacado no CCB e na UFSC nas vertentes de ensino, pesquisa e extensão. Na Graduação, são ministradas aulas para cerca de 6 Cursos da UFSC envolvendo cerca de 600 alunos por ano, e fomos pioneiros na UFSC, desde 1996, no uso da informática para a substituição dos animais em aulas práticas. Além disso, as atividades de pesquisa sempre receberam atenção especial. Em 1991 foi criado o Programa de Mestrado em Farmacologia e, em 1997, o de Doutorado. Na Extensão, vários docentes do Departamento participam de atividades que vão desde Comitês em agências governamentais até atendimento em clínicas médicas abertas à comunidade, cursos de ensino de ciência para alunos e professores do ensino médio da rede pública, e divulgação de farmacologia para o público leigo em jornal popular.