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Drogas calmantes e o álcool podem causar amnésia
As nossas memórias
Existem basicamente dois tipos gerais de memória: a implícita (que envolve comportamentos automatizados como movimento, postura, andar de bicicleta, etc.) e a memória explícita. Esta última pode, ainda, ser subdividida em memória operacional, que funciona enquanto estamos realizando determinada tarefa e é logo apagada (p. ex. ao ler um número na lista e digitarmos no telefone) e em memórias de maior duração, que usamos para armazenar uma matéria da escola ou situações associadas a uma emoção forte, boa ou ruim.
Drogas que apagam memórias
Drogas calmantes como os benzodiazepínicos (diazepam, lorazepam, etc.), ou mesmo o álcool, provocam amnésia anterógrada, isto é, vão prejudicar as memórias que estão em formação, interferindo nos processos de aquisição e consolidação de informações que vão se transformar em memórias mais duradouras. É por isso que certas pessoas não se lembram do que fazem quando estão bêbadas. Mas estas drogas não conseguirão apagar memórias já adquiridas. Ainda não inventaram uma droga que apague um trauma emocional sofrido, ou para curar a fossa. Porém, estas drogas podem temporariamente diminuir as reações emocionais ligadas às memórias negativas, como no desempenho de tarefas que envolvam perigo ou medo. Por isso, em casos graves de ansiedade e medo, estes medicamentos podem ser úteis.
Não abuse, enfrente o problema!
Usar calmantes como benzodiazepínicos, ou mesmo uma bebidinha, antes de fazer uma entrevista para um emprego, ou uma prova importante na escola, para diminuir a ansiedade, pode ter o efeito contrário ao desejado, pois a pessoa pode não lembrar de coisas importantes que estudou na véspera.

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Camundongos salva-vidas
Uma chave, muitas fechaduras.
Já falamos, nessa coluna, que os medicamentos são como chaves que se encaixam em fechaduras específicas no organismo, ligando ou desligando certas funções das células, para que ocorra o tratamento de uma doença, ou da dor, ou de uma alergia, por exemplo. Mas acontece que essa maneira de conseguir modificar as funções do organismo para tratarmos as doenças, tem um problema. É difícil conseguir fazer uma chave que só sirva em uma fechadura! Geralmente, uma chave funciona em várias fechaduras. Nas que a gente quer, e em muitas que a gente não quer, causando os efeitos colaterais de um remédio.
Camundongos salva-vidas.
Os cientistas estão usando a capacidade que os animais tem de produzir anticorpos específicos contra venenos, bactérias e vírus, para fazerem remédios melhores. Como o sistema imunológico de camundongos é muito parecido com o nosso, estes animais são empregados para produzirem os anticorpos que serão usados como medicamento. Substâncias que são produzidas, por exemplo, nas articulações inflamadas de uma pessoa com artrite, ou por células cancerosas, são injetadas em camundongos de laboratório, que passam a produzir anticorpos contra estas substâncias. Um processo de purificação permite concentrar grandes quantidades destes anticorpos para que posteriormente eles possam ser aplicados em pessoas doentes.
Novos tratamentos
Desta maneira, medicamentos mais efetivos e com menos efeitos colaterais estão sendo produzidos para tratar doenças inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, além de vários tipos de câncer, e muitas outras doenças crônico-degenerativas. Dando muito mais esperança de cura e qualidade de vida para as pessoas.

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O angioedema hereditário e a redescoberta de um fármaco
Angioedema hereditário
O angioedema hereditário (AEH) é uma reação vascular que causa o inchaço grosseiro e repentino de certas áreas do corpo como lábios, pálpebras, garganta, etc. A pessoa pode ficar sem conseguir abrir os olhos, ou com muita dificuldade para respirar, necessitando de tratamento rápido. Pode, também, acometer órgãos internos, causando dor abdominal intensa e até obstrução no transito intestinal. A reação começa sem que a pessoa possa prever ou saber por quê. Até agora, essa doença era difícil de controlar porquê os antialérgicos e corticoides não funcionam com ela como funcionam para o angioedema alérgico.
Redescobrindo uma droga
Os cientistas que estudam o AEH, descobriram que uma substância estava sendo produzida em grande quantidade nessas pessoas – a bradicinina. Essa substância é uma velha conhecida de outros cientistas que estudam o processo inflamatório, que tentaram, inclusive, desenvolver um novo anti-inflamatório antagonista dessa substância, chamado icatibant. Porém, ele fracassou clinicamente, e ficou esquecido por muitos anos, até que alguém percebesse que esta droga poderia ser útil no AEH. Bingo! Acertaram em cheio. Hoje os portadores de AEH contam com um remédio salvador para essas crises perigosas.
Fracasso que vira sucesso
A pesquisa farmacológica pode resultar em medicamentos fracassados para uma doença, porém com o estudo em outras áreas, estas mesmas drogas podem se tornar muito úteis. Outro exemplo é a talidomida, uma droga que foi proibida por causar deformações em fetos, hoje voltou a ser utilizada com sucesso em alguns tipos de câncer e até na artrite reumatoide.




