Aspirina pode reduzir risco de câncer e metástase, sugerem estudos

03/04/2012 15:16

Muitas pessoas já tomam doses diárias de aspirina para prevenir problemas cardíacos.

Mas os especialistas advertem que ainda não há provas suficientes para recomendar o consumo diário de aspirina para prevenir câncer e advertem que a droga pode provocar efeitos colaterais perigosos, como sangramentos estomacais.

Peter Rothwell, da Universidade de Oxford, e sua equipe, já haviam relacionado anteriormente a aspirina a um risco menor de câncer, particularmente de intestino. Mas seu trabalho anterior sugeria que as pessoas precisavam tomar a droga por mais de dez anos para ter alguma proteção.

Agora os mesmos especialistas acreditam que o efeito de proteção pode ocorrer em muito menos tempo – de três a cinco anos -, baseados em uma nova análise de dados de 51 estudos envolvendo mais de 77 mil pacientes.

Metástase

A aspirina parece não somente reduzir o risco de desenvolver muitos tipos diferentes de câncer, mas também impede a doença de se espalhar pelo corpo.

Os exames tinham como objetivo comparar os pacientes que tomavam aspirina para prevenir doenças cardíacas com aqueles que não tomavam.

Mas quando Rothwell e sua equipe viram como muitos dos participantes desenvolveram e morreram de câncer, verificaram que também poderia haver uma relação entre o consumo da aspirina e a doença.

Segundo o estudo, o consumo de uma dose baixa (75 a 300 mg) de aspirina parecia reduzir o número total de cânceres em cerca de um quarto em um período de três anos – houve nove casos de câncer a cada mil pacientes ao ano no grupo que consumia aspirina, comparado com 12 por mil entre os que consumiam placebo.

A droga também reduziu o risco de morte por câncer em 15% num período de cinco anos (e em menos tempo se a dose fosse maior que 300 mg).

Se os pacientes consumiam aspirina por mais tempo, as mortes relacionadas a câncer caíam ainda mais – 37% após cinco anos.

Doses baixas de aspirina também pareciam reduzir a probabilidade de o câncer, principalmente no intestino, se espalhar para outras partes do corpo (metástase), em até 50% em alguns casos.

Em números absolutos, isso poderia significar que a cada cinco pacientes tratados com aspirina, uma metástase de câncer poderia ser prevenida, segundo os pesquisadores.

Sangramentos

Especialistas advertem que aspirina pode também aumentar o risco de sangramentos graves

A aspirina já vem sendo usada há tempos como prevenção contra o risco de ataques e derrames, mas ela também aumenta o risco de sangramentos graves.

Porém o aumento do risco de sangramento somente é verificado nos primeiros anos de tratamento com a aspirina e cairia depois.

Críticos apontam que algumas das doses analisadas no estudo eram muito maiores que a dose típica de 75 mg dada para pacientes com riscos de problemas cardíacos. Outros estudos grandes sobre o consumo de aspirina realizados nos Estados Unidos não foram incluídos na análise.

Rothwell admite as lacunas ainda deixadas pelo estudo e diz que para a maioria das pessoas saudáveis, as coisas mais importantes para reduzir o risco de câncer ao longo da vida é não fumar, se exercitar e ter uma dieta saudável.

Mas ele afirma que a aspirina parece reduzir o risco ainda mais – apenas em uma pequena porcentagem quando não há nenhum outro fator de risco, mas consideravelmente quando o paciente tem um histórico familiar de cânceres como o colorretal.

Os especialistas advertem, porém, que as pessoas devem discutir suas opções com seus médicos antes de tomar qualquer remédio.

Fonte: BBC Brasil

02/04/2012 09:59

O Departamento de Farmacologia tem projeção nacional e internacional, além de papel destacado no CCB e na UFSC nas vertentes de ensino, pesquisa e extensão. Na Graduação, são ministradas aulas para cerca de 6 Cursos da UFSC envolvendo cerca de 600 alunos por ano, e fomos pioneiros na UFSC, desde 1996, no uso da informática para a substituição dos animais em aulas práticas. Além disso, as atividades de pesquisa sempre receberam atenção especial. Em 1991 foi criado o Programa de Mestrado em Farmacologia e, em 1997, o de Doutorado. Na Extensão, vários docentes do Departamento participam de atividades que vão desde Comitês em agências governamentais até atendimento em clínicas médicas abertas à comunidade, cursos de ensino de ciência para alunos e professores do ensino médio da rede pública, e divulgação de farmacologia para o público leigo em jornal popular.

LSD pode ajudar alcoólatras a parar de beber, dizem cientistas

18/03/2012 14:58

Uma única dose da droga alucinógena LSD poderia ajudar alcoólatras a parar de beber, segundo uma análise de pesquisas realizadas nos anos 60.

O estudo, publicado no Journal of Psychopharmacology, utilizou informações de seis experimentos envolvendo mais de 500 pacientes e concluiu que a droga teve um “efeito benéfico significativo” contra o abuso de álcool, que durou por vários meses depois que a substância foi utilizada. O LSD é uma das drogas alucinógenas mais fortes já identificadas, que aparentemente bloqueia uma substância química no cérebro, a serotonina, que controla funções como percepção, comportamento, fome e humor. Pesquisadores da Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia analisaram estudos sobre a droga realizados entre 1966 e 1970. Todos os pacientes participavam de tratamentos contra o alcoolismo, mas alguns receberam uma única dose de LSD de entre 210 e 800 microgramas. No grupo de pacientes que usou a droga, 59% mostraram uma queda no consumo de bebidas alcoólicas em comparação com 38% no outro grupo.

Efeito duradouro

O efeito se manteve por seis meses após o consumo do alucinógeno, mas desapareceu após um ano. Aqueles que tomaram o LSD também apresentaram níveis mais altos de abstinência de álcool. Os autores do estudo, Teri Krebs e Pal-Orjan Johansen, concluíram, então, que o LSD tem um efeito benéfico importante no combate ao alcoolismo e disseram que doses mais frequentes podem ter um efeito mais permanente. “De acordo com as provas sobre o efeito benéfico fo LSD contra o alcoolismo, é difícil entender por que esta abordagem de tratamento foi amplamente ignorada”, eles afirmaram. Outros especialistas elogiaram o estudo, entre eles David Nutt, que já foi conselheiro do governo britânico sobre drogas e que defende um relaxamento das leis sobre drogas ilegais para permitir a realização de mais pesquisas.

“Curar a dependência de álcool requer enormes mudanças na maneira como você se vê. É isso que o LSD faz. É um efeito muito forte. É difícil encontrar algo com resultados tão bons. Provavelmente, não há nada melhor (para tratar alcoolismo)”, diz ele.

Fonte: BBC Brasil

Histamina é novo alvo para criação de drogas contra a esclerose múltipla

15/12/2011 11:59

 

Histamina pode ser uma molécula importante para o desenvolvimento de novos tratamentos para esclerose múltipla. A descoberta é de pesquisadores do Neurological Institute Foundation Carlo Besta em Milão, na Itália.

No estudo, os cientistas analisaram o papel da histamina em um modelo animal de esclerose múltipla e descobriram que a histamina desempenha um papel crítico na prevenção e na redução dos efeitos da doença.

“Esperamos que nosso estudo ajude a desenhar novas terapias para doenças auto-imunes e em particular a esclerose múltipla, para as quais ainda não existe uma cura definitiva”, disse a pesquisadora Roseta Pedotti.

A histamina é um neurotransmissor envolvido nas reações alérgicas e outros processos fisiológicos e patológicos. É mais conhecida pelo papel que desempenha nas reações de hipersensibilidade, como alergias, e geralmente trabalha dilatando os vasos sanguíneos e tornando as paredes dos vasos permeáveis para que as células do sistema imunológico possam se mover mais facilmente.

Os cientistas estudaram os efeitos diretos da histamina e de duas moléculas semelhantes que se ligam especificamente sobre os receptores de histamina 1 ou 2. Usando um modelo de rato com esclerose múltipla os investigadores geraram linfócitos T causadores de esclerose e, em seguida, trataram essas células com histamina ou com as duas outras moléculas.

Os efeitos desses tratamentos foram avaliados através da análise da função da célula T, incluindo proliferação, produção de citocinas, ativação de vias de sinalização intracelular e adesão a vasos cerebrais.

Os resultados mostraram que a histamina reduziu a proliferação de linfócitos T auto-reativos da mielina e a produção de interferon-gama, uma citocina essencial implicada na inflamação do cérebro e na desmielinização. Além disso, a histamina reduziu a capacidade linfócitos T auto-reativos da mielina para se aderir a vasos cerebrais inflamados, um passo crucial para o desenvolvimento de esclerose múltipla.

“Esta pesquisa é muito interessante por várias razões. Primeiro, ela aponta para a conexão inesperada entre os caminhos envolvidos na auto-imunidade e na alergia e sugere ligações não reconhecidas anteriormente entre esses diferentes tipos de respostas imunes. Em segundo lugar, como estender os estudos em modelos animais para humanos é mais trabalhoso, esses dados apontam substancialmente para um novo alvo potencial para medicamentos contra a esclerose múltipla, doenças auto-imunes e doenças do sistema nervoso central “, observou John Wherry, vice-editor do Journal of Leukocyte Biology, onde o estudo foi publicado.