Alcoolismo afeta estruturas cerebrais de mulheres e de homens em direções opostas

20/05/2017 22:12

Foto: Gilmar de Souza / Agencia RBSEm um artigo publicado na revista científica Psychiatry Research Neuroimaging, pesquisadores investigaram o tamanho de estruturas do sistema cerebral de recompensa em mulheres e homens alcoolistas. O estudo envolveu 60 participantes com longo histórico de alcoolismo — 30 mulheres e 30 homens — e um grupo equivalente de voluntários não alcoolistas. Os participantes que foram alcoolistas estavam sóbrios por períodos variando desde quatro semanas até 38 anos. Todos os participantes tiveram seus cérebros comparados por tomografia de ressonância magnética.

O sistema de recompensa do cérebro constitui-se de um grupo de estruturas — incluindo a amígdala (não é a amígdala da garganta!) e o hipocampo — que são responsáveis pela sensação de bem-estar, alegria e prazer ao realizar determinadas tarefas, ingerir certos alimentos ou quando se usam substâncias químicas, como o álcool.

Uma vez que existem diferenças psicológicas e comportamentais entre mulheres e homens com alcoolismo — as mulheres tendem a ter níveis mais elevados de ansiedade, enquanto os homens são mais propensos a exibir características antissociais — o presente estudo foi concebido para investigar se o alcoolismo poderia afetar de forma diferente esse sistema de recompensa em mulheres e em homens.

TRATAMENTO DIFERENTE?

Até agora, pouco se sabia sobre o volume das regiões de recompensa em mulheres alcoolistas, uma vez que todos os estudos anteriores foram feitos em homens. Os tamanhos médios das estruturas da região de recompensa de homens alcoolistas foram 4,1% menores do que aqueles de homens não alcoolistas, mas os tamanhos médios das mesmas estruturas foram 4,4% maiores em mulheres alcoolistas do que em mulheres não alcoolistas.

Já em relação aos ventrículos (cavidades cheias de líquido no centro do cérebro), os pesquisadores encontraram uma relação inversa entre o tempo de sobriedade e o tamanho dessas estruturas, porém na mesma direção para homens e mulheres. Cada ano de sobriedade foi associado a uma diminuição de 1,8% no tamanho dos ventrículos. A equipe de pesquisa ainda não sabe dizer qual o significado de todas essas alterações para homens e mulheres, mas especula que isso possa ter implicações nas formas de tratar o alcoolismo entre os gêneros no futuro.

Carlos Rogério Tonussi